Notícias
A maior viagem é para dentro de si.Por carlos menezes
A maior viagem é para dentro de si.

“Ninguém sabe de que tesouro se trata ou se Santiago será capaz de ultrapassar os obstáculos que encontrará no caminho. Luxuriante, evocativa e profundamente humana, a história de Santiago é um testemunho eterno do poder transformador dos nossos sonhos e da importância em escutar o nosso coração.” Esta citação, retirada de “O Alquimista”, resume o assunto central desta obra.
Você já ouviu falar de como surgiu o caminho de “Santiago de Compostela”? Pois bem, Tiago um dos 12 apóstolos depois da morte e ressurreição de cristo foi pregar na Galícia extremo oeste da Espanha, então Província Romana. Retornando a Jerusalém, foi preso e decapitado. Dois de seus discípulos, recolheram o cadáver e o levaram de volta à Galícia de navio, sepultando-o secretamente em um bosque. O lugar foi esquecido até que oito séculos depois, um ermitão observou chuvas de estrelas sobre um ponto no bosque. O bispo de Iria Flávia, logo ordenou que fossem feitas escavações no lugar, encontrando os ossos do apóstolo Tiago. A notícia se espalhou e pessoas começaram a deslocar-se para lá a fim de conhecer a tumba, originando-se o Caminho de Santiago de Compostela. Etimologicamente Compostela é derivado do latim Campus Stellae, ou seja, "Campo das Estrelas".
Em 1980 Paulo Coelho, percorreu a pé os cerca de 800 quilômetros da estrada de Santiago de Compostela e relatou sua experiência no livro “O Alquimista”. Uma autobiografia figurativa, de um ser humano sem medo, simples e ao mesmo tempo capaz de discutir a vida em sua extrema complexidade, que viaja da Espanha para o Egito perseguindo o seu sonho de encontrar um tesouro. No seu caminho encontra um alquimista, que transforma o próprio rapaz no tesouro.
Em sua história Paulo Coelho descreve várias reflexões, pensamentos e conclusões que tirou ao longo do caminho. Entre elas destaco: 1) Todos nós temos sonhos que não devemos evitar seguir e que “a sorte de principiantes” estará do nosso lado quando tomamos esse caminho. 2) A possibilidade de transformar em realidade os seus sonhos é que torna a vida interessante. 3) Todos parecem ter uma idéia clara sobre como os outros devem dirigir as suas vidas, mas nenhuma idéia acerca do modo como conduzir a sua. 4) A maior mentira do mundo consiste em acreditar que num certo momento das nossas vidas perdemos o seu controle e passamos a ser controlados pelo destino. 5) Quando queremos algo todo o universo conspira para nos ajudar a concretizá-lo. 6) A coragem é a qualidade mais essencial para compreender a linguagem do mundo. 7) Todos na terra temos um tesouro que espera por nós. É necessário encontrar esse tesouro para que tudo o que aprendemos ao longo do caminho faça sentido. 8) Ouça o seu coração. Ele sabe todas as coisas porque tudo procede da Alma do Mundo e tudo retorna a ela. 9) Nenhum coração alguma vez sofreu quando foi à procura dos seus sonhos porque cada segundo da vida é um encontro com Deus e com a eternidade. 10) Existe apenas um sonho impossível de atingir: o medo do fracasso.
A obra encerra deixando claro que a Alma de Deus esta na sua própria alma de cada um. E que, cada pessoa desempenha um importante papel na história do mundo, embora normalmente o ignore. Esta obra encerra uma filosofia de vida: sou um aventureiro e estou à procura de um tesouro.
Quando li o livro fiquei pensando como uma caminhada de 800 Km pode ter tamanho poder de transformação em uma pessoa. Confesso que me deu muita vontade de percorrer o mesmo trajeto para experimentar o poder transformador dessa caminhada. Alguns anos depois fiz minha primeira viagem de Bicicleta, percorrendo 300 km de bicicleta pelo Vale Europeu. Ali pude entender o poder transformador de passar longas horas na solidão. Pedalando por caminhos pouco habitados você inicia uma viagem para dentro de si. Outro fato “impar” é se relacionar ao longo do caminho com pessoas extremamente puras em sua essência. Isso nos permite desprender das coisas mundanas e mergulhar na essência da vida.
Mas durante minha segunda Cicloviagem pude presenciar uma profunda transformação de um grande amigo, o qual tratarei pelo pseudônimo de Pedro. Sinto-me privilegiado por estar lá naquele momento. Pedro nunca acreditou em Deus e sempre se opôs a qualquer assunto relacionado a religião. Quando os oito ciclistas se reuniram na praça da cidade de Mococa para pedir em oração proteção para a Viagem, Pedro se afastou dizendo que não precisaria dessas bobagens para tudo correr bem. Bastou começar a pedalar e os problemas vieram: pneus furados, corrente arrebentando por várias vezes, entre outros. Mas no penúltimo dia de viagem quando nos aproximávamos de Campos do Jordão, Pedro e outro integrante se distanciaram do grupo e no final da tarde iniciaram a subida entre Luminosa e campos do Jordão. Na metade da subida o dia que estava ensolarada fechou completamente de maneira muito rápida despencou a chuva. O cessar da chuva deixou uma forte neblina que com o cair da noite diminui muito a visibilidade. O frio nas roupas molhadas acentuava a baixa temperatura. Nesse momento o Pneu de Pedro rasgou por completo, tornando impossível seguir adiante. O companheiro de Pedro seguiu o caminho na esperança de encontra alguém que pudesse oferecer socorro. Pedro então ficou sozinho empurrando sua bike na pouca luminosidade que restava. O baixo esforço físico, somados a baixa temperatura e as roupas molhadas não era suficiente para manter o corpo aquecido. Pedro então sentir as pontas dos dedos das mãos e pés começando a congelar. Foi então que sua vida passou pela cabeça, seus valores foram revistos e sua essência foi encontrada. Do nada uma moto apareceu e o levou até uma pousada onde foi revertida a hipotermia. Só me recordo de vê-lo no Final do Caminho com uma camiseta referendando um sinal de fé. Hoje tenho em Pedro uma pessoa mais centrada na vida do que antes dessa experiência e por isso acredito que a maior busca na vida é busca por si mesmo.
Exibir Comentários (3)
Pensei que o Pedro e o parceiro dele tinham ficado para trás devido aos problemas, foi o que o texto me levou a entender, entendi mal, desculpa!
Realmente Olavo. Mas como era a primeira Cicloviagem do grupo a inesperiencia não nos permitiu levar os itens por você citado. Em relação aos parceiros de Pedro, em momento algum o abandonaram. Não entendi o que o leveou a pensar dessa maneira, uma vez que o texto não diz isso. Apenas para esclarecer. Nesse dia Pedro e seu amigo decidiram impor um ritmo mais forte ao seu pedal deixando o grupo para trás. A partir dai se perderam por caminhos diferentes acontecendo o citado no texto.
Se tivessem se preparado melhor para a cicloviagem a coisa poderia ser diferente, talvez um pneu reserva deva se levar, ainda mais que eram vários ciclistas,mas certamente um cobertor de emergência tem que ter sempre no alforje,e a coisa que mais me impressionou no texto, foi os parceiros de Pedro, tão religiosos e com fé simplesmente o abandonaram, grandes parceiros!!!! Isso nãotem nada ver com fé e religião, isso tem a ver com preparação e camaradagem.