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O Dom de Professar

Na infância todas as crianças sonham em ser super heróis, depois sonham em serem igual a seus pais e é muito comum também sonharem em ser médico, bombeiro, policial, etc. Mas de onde vem esses sonhos em comum? Acontece que crianças são puras de coração e sonham em serem assim quando crescerem pelo modelo de profissões que tem o poder de proteger e ajudar os demais. Mas ao longo dos anos entra um vilão na história. Ao descobrirem que existe uma recompensa para quem faz o trabalho (salário) muitas vezes são corrompidas e acabam se perdendo da sua essência. Confesso que sempre sonhei com várias profissões. Algumas delas fui corrompido, em outras não. Se tiver que explicar como me tornei professor, talvez a resposta seja: “Meu coração me guiou a fazer aquilo que me tornaria realizado”. Num passado não muito distante o homem era o chefe da família, a mãe cuidava de casa e os filhos iam a escola apenas para obter conhecimento e conseguir um trabalho melhor. Hoje pais trabalham foram, as crianças passam boa parte do tempo na escola, e o papel do professor passou a ter importância fundamental na formação do ser humano. Boa parte da formação do caráter e valor do indivíduo se deve a influência das pessoas que ele conviveu na escola. Ter noção dessa importância é fundamental para que se defina o que é um bom e um mau professor. Para transmitir conhecimento basta nascer primeiro, porque assim lê primeiro, entende primeiro e explica para aqueles que nasceram depois. Mas ensinar, formar, construir um indivíduo melhor, isso sim está enrustido na essência da pessoa. Percebo o quanto existe preconceito em relação à profissão. Sempre que dizemos essa palavra é comum as pessoas resgatarem palavras como baixos salários, greves, pessoas infelizes. Digo isso porque durante vários anos o modelo de professor que existia em minha cabeça era o de uma professora que tive na segunda série que sempre reclamava do governo, do salário, das suas doenças e poucas vezes deu aula como realmente deveria ser feito. Mas até mesmo ela foi importante na condução da minha carreira. Durante anos acreditei naquele modelo, até que comecei a ministrar aulas. Apenas quem já teve essa sensação vai entender do que estou falando. Ensinar e formar um individuo é algo que dinheiro nenhum no mundo paga. A sensação de dever cumprido, de realização é algo que vale uma vida. Sempre que estou à mesa nas colações de grau em formaturas, fico olhando para cada rosto e pensando em como chegaram ali a quatro anos atrás. Quais eram seus sonhos? O que mudou nesse tempo? Quantas brigas e desentendimentos foram necessários? Quantas ansiedades, medos, incertezas e inseguranças nos foram compartilhados? E se eles não tivessem estudado o que seria deles hoje? Assim como um engenheiro caminha pela cidade e enxerga suas obras, nós professores também enxergamos as obras que construímos cada vez que deparamos com um ex-aluno. A grande diferença é que nossa obra continua sendo feita, pois os valores que ali colocamos continuam sendo passados para sua família, filhos, netos e assim por diante. E talvez esse seja um dos grandes sentidos das palavras “Vida Eterna”. É fazer com que tudo que há de melhor em sua essência seja transmitido ao longo das gerações, contribuindo para a formação de um mundo melhor.
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Antes de tudo seu comentário me fez reletir, Carlos! E sei que você tem muita razão. Mas é difícil continuar a carregar a bandeira nos ambientes de trabalho que tenho conhecido nesses meus 15 anos de profissão. Mas, sua coragem me contaminou, esteja certo disso!!!
Agora sou eu quem, "não sei se concordo com seu título" amiga Sissa. Concordo que existam professores e educadores. Politicos e politiqueiros. Bicicliteiros e Ciclistas. E por ai vai. Sei que muitas pessoas distorcem palavras e empunham bandeiras e cargos que não são dignos. Assim como a plavra "Ecologico" e "Orgânico" e tantas outras citadas acima são atualmente utilizadas em beneficios próprios e acabam distorcendo a epistemiologia da palavra. Prefiro me sentir digno de ser chamado de professor e atuar educando como sua definição determina. Não irei presentear aqueles que não fazem juz ao cargo, que não exercem e não educam como realmente deveriam fazer. Por isso acredito que todo Professor é Educador e vice-versa. E que aquele que assim não é, e atua de forma leviana apenas em troca de um sálario no final do mês. Aquele que não sente o prazer brotar em sua alma em cada ensinamento e não se desdobra para atingir esse prazer. Esse nunca foi nem nunca será digno de ser chamado de professor. Te convido a não entregar essa palavra e essa profissão tão bonita assim de mãos beijadas. Vamos valorizar os verdadeiros e professores e para esses "outros" que seja criada outra denominação.
Na atualidade, não sei se concordo com o seu título, amigo Carlos. Eu costumo dizer que existem professores e educadores. Os primeiros são os corrompidos, os segundos os amantes apaixonados pela sua profissão. Acho que deveria ter caído de vez no clichê (que por mais batido que esteja nunca deixará de ser uma verdade) e titulado a matéria com "a arte de educar".