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Viaje diferente... Viaje de BikePor carlos menezes
Viaje diferente... Viaje de Bike



Quando entramos no ritmo agitado da rotina de dias e dias de trabalho, estudo, família, etc., acostumamos a seguir sempre o mecanismo: ao acordar já temos programado tudo o que temos pra fazer no dia, sendo que o atraso nos traz problemas terríveis. O mesmo se repete para a semana, o mês, o semestre e assim por diante. Muitas vezes não temos tempo sequer para fazer tudo aquilo que gostamos, muitas coisas que nos davam prazer na infância e adolescência é abandonado em função da falta de tempo. E essa é uma das melhores desculpas para nossa falta de lazer. Com isso o ser humano perde sua essência e passa ser apenas mais um no mundo. Que tal ter um período sabástico? Não sabe o que é isso? É o período onde tiramos para zerar a memória, no sentido figurado seria o mesmo que formatar seu HD e reinstalar somente aqueles programas e arquivos que realmente tem valor. Eliminar os arquivos indesejados, deletar vírus e trojans. Uma boa forma de ter esse momento com você mesmo é aproveitar as férias e viajar de bike. A princípio pode parecer coisa de louco, sair por ai como um andarilho sem destino. Mas você logo vai descobrir que uma viagem de bike deve ser tão ou mais elaborada que uma viagem de carro, trem, avião ou navio. Sem dizer que o tempo em que passa sem contato com os meios de comunicação e na companhia de pessoas amigas, lhe permite resgatar a essência da sua pessoa. Me lembro bem quando programava minha primeira cicloviagem pelo “Vale Europeu” juntamente com minha esposa. No momento em que fomos arrumar as malas percebemos que muitas coisas que são fundamentais numa viagem de carro são supérfluos quando o objetivo é viajar para encontrar você mesmo. Roupas requintadas, secador de cabelos, entre tantas outras coisas são substituídos pelo mínimo necessário. Coisas como sabonete, shampo e roupa seca valem mais do que qualquer outra coisa. Nesses roteiros levamos apenas o dinheiro suficiente para pagar as contas da hospedagem e alimentação. Os roteiros escolhidos geralmente são em regiões excluídas dos circuitos explorados por agências e isso faz com que façamos nossa hospedagem e alimentação em lugares que muito dificilmente escolheríamos se estivéssemos de veículo motor. E talvez seja esse um dos pontos fortes do cicloturismo, conhecer pessoas desprovidas de maldade que tem como maior prazer servir aqueles que seguem uma jornada, e são totalmente abertas ao mundo sempre dispostas a receber os que ali chegam com alma aberta. Ao retornar temos a nítida sensação de ter deixado pra trás um peso morto, que carregamos a cada dia e que não tem o menor valor. Estar em contato com si mesmo nos mostra o quanto o mundo é grande e que para conhecê-lo, não precisa ser rico em dinheiro, mas sim rico em disposição, afinal é só pedalar que chega. E em cima de uma bike o tempo é outro. O relógio não é mais o senhor do tempo. A cada paisagem, a cada serra, a cada cachoeira, a cada novo amigo, sentimos um toque de DEUS em nossa vida.
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A primeira vez que subi de bike pra Ibiti pensei em como é diferente fazer um mesmo percurso de carro ou de bike. Eu vi tantos detalhes, quando de bike, que de carro me passavam despercebidos.