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Discutindo a relação
Por Isah Andreoni

Discutindo a relação

A maioria das pessoas, não só as que desejam comprar uma bicicleta, mas também as que já andam em uma, muitas vezes pensa que, ah, bicicleta é bicicleta, como se toda bike fosse, pelo menos do ponto de vista de seu funcionamento, igual. Mesmo que, aparentemente, 2 bikes sejam da mesma marca, ou de marcas compatíveis, e tenham componentes semelhantes, o mesmo número de marchas, isso não quer dizer que elas serão necessariamente iguais. Se você experimentá-las, perceberá imediatamente as diferenças, mesmo que muito sutis, quanto a aspectos que vão desde peso, facilidade/dificuldade na mudança das marchas, maior ou menor aderência/atrito, possibilidade de uma pedalada, digamos, mais forte, ou, pelo contrário, bom desempenho mesmo em subidas muito íngremes.

Por tudo isso, para quem pretende comprar uma bicicleta, fazer alterações na que já tem, ou mesmo conhecer melhor a que já usa, aqui vai uma série de artigos com informações e dicas básicas sobre a especificidade e desempenho das magrelas.

 A relação

 Um dos principais, senão o principal componente a ser considerado em uma bike é a relação. Se você parar pra pensar, uma bike é, essencialmente, composta por duas rodas, um quadro, um guidão, freios (algo que os moleques soltos das ruas, e alguns malucos da BR vão contestar...) e a relação. Todo o restante é constituído por componentes e acessórios que, ao longo do tempo, foram sendo acrescentados, ainda bem, diga-se de passagem, para melhorar o desempenho, eficiência, conforto e prazer na pedalada.  E talvez possamos até mesmo afirmar que a relação não é só uma das partes fundamentais de uma bike, mas a principal. É ela que, possibilitando a mágica simples da transformação de energia corpórea em movimento, realiza o deslocamento. E não é por acaso que devamos, sempre que possível, dar uma olhada mais cuidadosa em como ela anda. Afinal, he heee, você sabe, discutir a relação é sempre bom.

 Mas o que é afinal a relação?

Ela é o conjunto composto pela coroa (localizada no eixo da bike, onde se fixa o pedivela), pela catraca (ou k-7), e pela corrente que as une. 

Tudo isso parece básico demais, sim, todo mundo sabe. Entretanto, a questão aparece quando paramos pra olhar com um pouquinho mais de atenção pra essa parte de nossa bicicletas. Afinal, o desempenho, e com ele o maior ou menor conforto, de sua pedalada depende, e muito, da relação você utilizar.

Para os que não fazem idéia do que estou dizendo, explico:

Como eu disse no início, não é porque a sua bike tem 21 marchas, e a do seu vizinho também, que necessariamente a pedalada em cada uma delas, e o desempenho em cada uma delas, serão os mesmos.  Espero que, a partir de agora, e durante essas próximas semanas, isso vá ficando mais claro.

Catracas e K-7s

Pra começar nossa conversa, vamos esclarecer o que, afinal, é  catraca, k-7, roda-livre, pinhão; palavras normalmente usadas como sinônimos, mas que, na verdade, não o são.

Sim, digamos que a função de todos eles, não importa o nome, é a mesma, mas com a diferença de que, no caso da catraca (ou roda livre), a fixação ao eixo da roda é feita sob a forma de rosca. A catraca é rosqueada ao eixo, como uma porca em um parafuso.

Enquanto o k-7 é “encaixado” ao eixo-livre do cubo. Esse encaixe acontece de modo preciso, devido a saliências que existem tanto no eixo quanto na parte interna do k-7.

Isso implica que o mesmo cubo que é usado com uma catraca não poderá ser usado com um k-7, e vice-versa.

figura 1: cubo para catraca:

figura 2: cubo para K-7:

Pinhões, na verdade, são cada uma das engrenagens, dos “discos” que, em conjunto, formam um k-7.

Outra diferença quanto a esse aspecto é que, no caso dos k-7s, cada pinhão costuma ser independente dos outros. No caso de algumas marcas, como a Shimano, por exemplo, mesmo que os pinhões maiores e intermediários costumem vir acoplados, (e só os 2 ou 3 menores venham soltos), o conjunto, como um todo, pode ser desmontado, bastando soltar os pinos que os mantém unidos. Se o ciclista quiser substituir um deles, ele o fará, sem precisar trocar o k-7 inteiro.

Já no caso das catracas, isso não é possível, pois as engrenagens (pinhões) não são independentes. Se houver necessidade de substituir apenas uma engrenagem, isso implicará necessariamente em trocar a catraca inteira.

Uma vez que estamos abordando esse tema, digamos, mais técnico, com a intenção de fazer com que esse conhecimento signifique uma melhoria em nossa pedalada, mais conforto e precisão, maior adequação entre cada ciclista e sua bike, talvez a diferença mais importante a ser lembrada, quanto a esse componente (k-7, catraca), é a maior possibilidade que o k-7 nos dá de explorarmos um pouco mais o escalonamento de nossa relação. Vamos falar precisamente sobre esse assunto no terceiro artigo dessa série, após falarmos sobre coroas. Por enquanto, para aqueles que não fazem idéia do que estou falando, basta entenderem que:

1º) pelo fato de terem pinhões independentes, no caso dos k-7s, a possibilidade de diferentes combinações de pinhões e, portanto, de uma melhor adequação ao desejo de cada ciclista, é aumentada.

2º) o menor dos pinhões existentes para mountain bikes possui 11 dentes (contra 14, no caso das catracas), o que significa, como veremos, a possibilidade de uma pedalada “mais forte”, e portanto, de velocidades mais altas, o que faz uma grande diferença para aqueles que tem as pernas um pouco mais fortes, estão bem condicionados, ou mesmo para os que não resistem ao prazer de planar por essas estradas.

Semana que vem estamos aí, pra continuarmos esse papo.



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