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AUDAX - Ciclismo e Determinação Por Felipe Aço
AUDAX é o evento ciclístico mais antigo do mundo, data de 1891 e teve seu início em Paris na França. O Audax foi o precursor da Volta da França, hoje reconhecida mais importante competição ciclística do mundo. As edições deste evento se multiplicam pelo mundo, hoje o audax está presente em todos os continentes e em mais de uma centena de países. A Meca dos ciclistas amadores ainda é a revivência destes primeiros ciclistas que aventuraram-se nas rudimentares estradas da Europa com suas , não menos rudimentares bicicletas, no início do século XIX. Ainda hoje, a cada 4 anos ciclistas do mundo inteiro reúnem-se em Paris envoltos em uma aura de desafio, competitividade, amizade, solidariedade e coragem para percorrer nada menos do que 1225 km entre a capital da França e Brest, cidade a oeste deste país num trajeto de ida e volta. Os ciclistas têm no máximo 90 horas para fazer este percurso. Pouco? Para chegar aos 1200 km é necessário que antes os ciclistas tenham feito a série de 200, 300, 400 e 600 km. No último evento nada menos que 5300 ciclistas participaram; dentre estes cerca de duas dezenas eram brasileiros. Quem teve a oportunidade de participar relata o clima festivo que se estabeleceu e os vínculos de cumplicidade entre os participantes, e destes com a população em geral.
Parece uma coisa simples a reunião de um grupo de ciclista que se propõem a percorrer determinado número de quilômetros em um tempo limitado, mas é algo que vai muito além disto. Todos que se predispõem a desatracar suas vidas em uma jornada de paciência e superação deparam-se com tantas variáveis que tornam cada viagem um desafio totalmente novo. Frio, calor, vento, topografia, chuva, pavimento, tráfego, condição física, orientação geográfica, exaustão, etc. Cada percurso traz consigo o sabor do inusitado; cada caminho é sempre uma nova escolha que impinge coragem, desprendimento, dedicação e audácia.
No entanto, vencer todos os obstáculos externos é muito pouco perto das barreiras internas que cada um desenvolveu ao longo dos anos. O medo do fracasso, a insegurança, a rigidez de comportamento, a ansiedade paralisante... Vencer os muros internos é um desafio muito mais pesado, implica disposição à mudança e a descoberta de si. Cabe aqui concordar com o mestre Shakespeare: “É a mente que enriquece o corpo”. Sim , é verdade, quando o corpo fraqueja e insinua desistir, é aquilo que acreditamos ser verdade, os significados que construímos e que conseguimos dar a nossa vida que comandam o corpo. Até o corpo saudável sucumbe a um esforço sem razão e sentido.
Até o corpo saudável
sucumbe
a um esforço sem
razão
e sentido.
Amyr Klink, nosso mago dos desafios solitários, nos ensinava alhures que “deve-se descobrir a alegria de transformar distância em tempo; o medo em respeito e o respeito em confiança”. Tempo é uma palavra que causa medo nos dias atuais.... Fugimos do tempo. A ordem do dia em nossa sociedade é não “envelhecer”; haja visto, por exemplo, todo o aparato cosmético e medicamentoso que hoje existem para retardar as marcas do tempo. Isso, sem falar em toda a logística e manufatura das cirurgias plásticas. Embora busquemos retardar o tempo de nossas células somos impingidos a acelerar o tempo de nossos ganhos. Perdas e ganhos são palavras relativas no audax, ganha quem supera a si mesmo e perde quem “corre contra o tempo”, pois super-ação é muito mais do que vitória. Quem está no audax, não quer vencer senão a si mesmo e perder senão o medo de não querer. Eis aí um belo desafio.
Cervantes dizia que “quem muito deseja pouco teme”, talvez este seja o mote dos “audaxciosos” : desejar muito e sempre, e tanto que nenhuma distância é obstáculo. Não existe caminho, se faz o caminho ao se pedalar.
Paz!
http://www.audaxbrasil.com.br/sitenovo/index.html
http://www.audax-club-parisien.com
Exibir Comentários (1)
Muito legal o texto Felipe, já tinha passado aqui pra conhecer o site, sempre com temas interessantes! Vou linkar lá no Sociedade Audax, ok?
abraços, ninki